Pesquisar

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

República Velha: Governo Prudente de Morais (1894-1898)


Após o regime republicano alcançar estabilidade, não era mais necessário ter militares no poder. A oligarquia paulista articulou a candidatura de Prudente de Moraisos cafeicultores iniciaram seu predomínio político, em defesa de seus próprios interesses, que duraria até 1930.

A eleição de Prudente de Morais, então, não foi positiva para os setores populares. Então, como foi eleito? Através do controle do voto, eu respondo. Vimos na postagem que abre a série sobre a República Velha que o voto não era mais censitário, ou seja, por critério de renda, mas universal masculino, o que significa que todos os homens alfabetizados e maiores de 21 votavam.

Só que a população urbana ainda era pequena em relação à rural, onde o voto era controlado pela oligarquia local. Os chamados "coronéis" eram esses grandes proprietários de terra que administravam muitos funcionários e, quase sempre, usavam capangas (ou jagunços) para garantir sua autoridade. Essa forma de dominação ficou conhecida como coronelismo.


Consequentemente, os fazendeiros interferiam diretamente na vida de seus empregados através de uma política paternalista. Os camponeses eram considerados parte da família do patrão, agregados. Preciso nem dizer que os coronéis se aproveitavam e muito desse vínculo, política dominada clientelismo, como se fosse uma troca de favores que, inclusive, ainda acontece nos dias de hoje.

Como a votação era aberta, os eleitores declaravam publicamente em quem havia votado. Quem se negasse a votar no candidato escolhido pelos coronéis estava sujeito à violência dos jagunços. Este sistema ficou conhecido como "voto de cabresto": o voto obrigado, imposto pelos coronéis.

Dessa forma, a apuração das votações raramente surpreendia os políticos e a população não nutria esperanças de que alguma coisa fosse mudar. Qualquer semelhança com a atualidade é mera coincidência.


No governo Prudente de Morais houve aumento da dívida externa por causa de empréstimos ingleses para contornar temporariamente uma crise de excedente de café. 

Entre 1896 e 1897, o presidente teve de enfrentar ainda a Guerra de Canudos, que expressava decadência econômica da região Nordeste. A crise fortaleceu o desejo da ala florianista do exército de retomar o poder, dizendo que somente um Estado forte e centralizado poderia conter o "movimento monarquista" que era o liderado por Antônio Conselheiro. Essa política centralizadora era contra os princípios federativos de maior autonomia aos estados, estabelecidos na Constituição de 1891.

Quando finalmente derrotou Canudos, Prudente ordenou a prisão de várias opositores e decretou estado de sítio, garantindo a eleição de seu sucessor em 1898: Campos Sales. É por isso que hoje em dia o presidente só pode decretar estado de sítio com autorização do Congresso Nacional.

<< Governo anterior: República da Espada >> Na sequência: Governo Campos Sales

Nenhum comentário:

Postar um comentário