Pesquisar

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Brasil-Império: Abdicação de D. Pedro I (1831)


A imposição da Constituição de 1824 e a violência utilizada contra os rebeldes da Confederação do Equador foram alguns dos acontecimentos que comprometeram a popularidade do imperador, mas tudo sempre pode piorar. Em 1825, eclode a Guerra da Cisplatina (1825-1828).

A Guerra da Cisplatina foi uma conflito entre Brasil e Argentina pela posse da antiga Colônia do Sacramento (atual Uruguai). O território uruguaio, durante a colonização, pertenceu à Espanha, mas em 1816 foi tomado pelas tropas de d. João VI e anexado ao Brasil. Os habitantes da Cisplatina, porém, não aceitavam a anexação, pois tinham idiomas e costumes diferentes. Assim, um movimento de libertação foi articulado na província e recebeu apoio do governo argentino. Em represália, d. Pedro I declarou guerra à Argentina, denominada na época Províncias Unidas do Rio da Prata.


A guerra acabou em 1828, com, novamente, a Inglaterra mediando o conflito. O acordo estabelecido foi que a Província Cisplatina não pertenceria nem ao Brasil nem à Argentina: seriado criado um país independente, a República Oriental do Uruguai. O desfecho desfavorável ao Brasil desgastou a imagem de d. Pedro I. Além do mais, o dinheiro gasto para sustentar a guerra desequilibrou ainda mais a economia do Brasil, já prejudicada pelas vantagens concedidas a outros países em troca do reconhecimento da independência.


Como se já não existissem problemas suficientes para d. Pedro I, em 1826 morre d. João VI, rei de Portugal. Filho mais velho, d. Pedro era o herdeiro legítimo do trono português. Os políticos brasileiros não gostaram nem um pouco da situação de d. Pedro I como imperador aqui e rei lá, o que levou o imperador a renunciar ao trono português em favor da sua filha Maria da Glória. Como ela era menor de idade, o trono ficaria sob regência do irmão de d. Pedro I, d. Miguel.

D. Miguel, porém, trai o irmão e proclama-se rei de Portugal por meio de um golpe de Estado. D. Pedro I passa a elaborar planos militares para reconquistar o trono herdado por sua filha.

Enquanto isso, a balança comercial brasileira acumulava cada vez mais dívidas devido às exportações estagnadas e importações facilitadas. A Confederação do Equador e a Guerra da Cisplatina agravaram a crise e, em 1829, o Banco do Brasil faliu. Os preços aumentaram e os conflitos entre Partido Português e Partido Brasileiro também, sendo que os últimos temiam a recolonização do Brasil e os primeiros eram a favor dela.


Em 1830, foi assassinado em São Paulo o jornalista Líbero Badaró, um dos líderes da imprensa e principais opositores do governo. Um possível envolvimento de d. Pedro I no assassinato foi cogitado e noticiado pelo país. Buscando acalmar as tensões políticas, d. Pedro viajou para Minas Gerais, mas foi recebido sob protestos. Em resposta, o Partido Português organizou uma festa de recepção ao monarca em seu retorno ao Rio de Janeiro. Querendo impedir a realização desse evento, o Partido Brasileiro entrou em choque violento com o Partido Português, episódio conhecido como Noite das Garrafadas.

Na tentativa de conter a revolta, d. Pedro I organizou um ministério composto só pelo Partido Brasileiro, mas o descontentamento continuou. No dia de 5 de abril de 1831, dispensou todos os integrantes do Ministério dos Brasileiros que não o obedeciam e nomeou um Ministério composto só por portugueses conservadores, o Ministério dos Marqueses.

Era o fim de d. Pedro I. Os grandes proprietários rurais, os políticos brasileiros e até as tropas imperiais uniram-se contra o imperador. Em 7 de abril de 1831, o monarca abdicou do trono brasileiro em favor do seu filho Pedro de Alcântara, de apenas 5 anos de idade. Depois, d. Pedro I partiu para a Europa com o objetivo de lutar pela reconquista do trono português. No Brasil, era o início do Período Regencial (1831-1840).

Nenhum comentário:

Postar um comentário